12 novembro, 2018

Reflexões dobre o ecumenismo.

 
  Imagem fonte.
 Não raro fala-se em ecumenismo como a integração ou o contato com todas as práticas religiosas (o que poderia ser, mas não é). O ecumenismo sustenta a "integração" ou contato com as religiões cristãs. Em breve pesquisa na internet vê-se inflamados discursos que justificam e fundamentam que o ecumenismo se restrinja às religiões cristãs, em especial ao Catolicismo Ortodoxo, o Catolicismo Apostólico e o Protestantismo Histórico. Ou seja, o ecumenismo (pelo menos nessa abordagem mais divulgada) não inclui religiões espiritualistas e reencarnacionista, ou animistas. Uma definição interessante de ecumênico nos faz refletir sobre uma possível abrangência desse conceito a todas as religiões:

 A palavra ecumênico tem sua origem no vocábulo grego oikoumene. Este, por sua vez, é derivado da palavra oikos, que significa casa, lugar onde se vive, espaço onde se desenvolve a vida doméstica, onde as pessoas têm um mínimo de bem-estar. No Novo Testamento, esta palavra é usada em várias ocasiões (ver Mateus 24.14; Lucas 2.1; 4.5; 21.26; Atos 11.28; Romanos 10.18; Hebreus 1.6; 2.5; e Apocalipse 12.9), para se referir ao "mundo inteiro", a "toda a terra", e também ao "mundo vindouro".

Mas como já vimos, não é isso que ocorre. Ficando o termo mais restrito às religiões cristãs.
Em outra fonte consultada percebe-se uma visão onde o ecumenismo sofre recuos pois: 

"(...) não parece que seja por falta de fundamento bíblico-teológico, mas por fatores que interferem negativamente no caminho da reconciliação. Entre estes, verificamos o surgimento de movimentos religiosos de estilo esotérico-gnóstico; a proliferação de “igrejas livres” (free churches) desvinculadas da herança da Reforma; a postura mercadológica de várias denominações; o subjetivismo religioso; a promiscuidade ética dos que fazem da fé um pretexto para acumularem tesouros na terra, antes que no céu. " (http://www.cnbb.org.br/ns/modules/mastop_publish/?tac=189 Capturado em 05/08/2009)

A noção de ecumenismo ampliada para vários credos fica, até certo ponto, comprometida, ainda que haja entidades que sustentam seu ecumenismo com essa ideia mais abrangente . Como é o caso do "Centro Ecumênico de Ação e Reflexão" (acessem: http://www.cear.org.br/atual/index.php?option=com_content&view=article&id=60&Itemid=78)
Para se fazer referência à diálogos com todas as religiões e crenças do mundo é melhor usarmos o termo Diálogo Inter-religioso. Dessa forma, há possibilidades de discutir ideias e fazer análises sobre os mais variados sistemas de crenças. Nesse caso, vimos que a própria CNBB mantém esse tipo de ação vejam em: http://www.cnbb.org.br/ns/modules/mastop_publish/?tac=189 no caso, detecta-se um diálogo com o Islamismo e o Judaísmo. Não temos conhecimento (ao não tivemos acesso) à fontes onde esse diálogo se apresenta entre religiões politeístas, reencarnacionista ou animistas.
De todo mundo, vivemos num mundo diverso e plural onde todos (garantido por lei no Brasil) têm direito de manifestar seus credos religiosos. E esses, inegavelmente, merecem todo respeito por parte daqueles que se identificam com religiões ou crenças opostas.


Referências: 
Almanaque Abril, 2008. 

As montanhas e o sagrado.

Monte sinai
Monte Sinai. Imagem: fonte.

Historicamente as montanhas são formações de relevo que sempre fascinaram o ser humano. Uma elevação no horizonte sempre despertou uma certa relação com o subjetivismo. O difícil acesso, a imponência perante outros relevos, a impressão de tocar o céu, etc. Quando começamos a ter as primeiras noções do sagrado e a supor que um criador estava em outras dimensões mais altas, no céu, elas começaram a representar o ponto mais próximo entre nós na Terra e Deus no céu.
Praticamente todas as culturas e religiões mencionam em seus livros sagrados essas formações. A começar pela bíblia com inúmeros exemplos de elevações sagradas. Dentre eles se destaca o monte Sinai, onde Moisés foi chamado pelo próprio Deus para subi-lo. No Tibet o monte Kailas é reverenciado por budistas, hindus e jainistas. Quem vai até ele resgata os pecados. A cidade de Machu Pichu, na América do Sul, tinha uma forte vinculação com a religião, as cavernas próximas a cidade eram lugares sagrados.

Machu Picchu
Machu Picchu. Imagem: fonte.

Segue a história com tantas outras montanhas e montes sagrados. O monte Fugi, no Japão. O conhecido monte Olimpo da religião grega antiga. No próprio Brasil, para os índios Tamoios o cume do Pão de Açúcar era a morada do Deus Tupã. A China abriga cerca de nove montanhas sagradas. No Havaí, o Kilauea é para os nativos a morada da deusa Pele; dentre outros tantos exemplos.
Em certos segmentos de relevos desprovidos de elevações o ser humano, ao que parece, tenta imitá-la. O fascínio pela altura parece ter um quê de sagrado. A antiguidade é povoada de monumentos considerados muito altos para a época: os zigurate dos sumérios parecia imitar plenamente uma montanha, as pirâmides do Egito e da mesoamérica, as altas torres das igrejas que se destacavam no cenário urbano da Idade Média são grandes exemplo dessa tentativa de manter um contado com o sagrado que reside nas alturas.
Para Mircea Eliade "cimo da montanha cósmica não é só o ponto mais alto da terra; é o umbigo da terra, o ponto onde teve início a criação." [1]

Referências:
Revista Planeta. Editora Três, nov. 1999.
[1] apud Revista Planeta.

Significado da estrela de Davi. Simbologia.

A palavra símbolo foi usada na Grécia para indicar duas metades de uma tábua que era dividida entre pessoas para indicar um compromisso de hospitalidade. Durante a história a palavra foi adquirindo inúmeros significados, uma das definições pode ser a seguinte: "uma representação que não procura ser uma reprodução" [1]. Um símbolo pode ter um significado muito extenso, pode representar uma cultura, um estilo de vida, uma ideologia, etc.
A Estrela de Davi.

Estrela de Davi é o nome dado pelo esoterismo a um antigo símbolo hindu - O Murgan - que também se tornou o símbolo do Judaísmo.
Esse símbolo tem suas origens na tradição shivaísta na sul da Índia. Que concebe um Deus com realidade absoluta. Para se compreender esse Deus e seus propósitos tem-se que fazer a ligação com o que está em baixo e em cima através de uma ascensão chamada Kundalini-Shakti ( energia divina), muito difundido em certas vertentes da ioga.
Nessa tradição, a Kindalini-Shakti, o princípio feminino Shakti é imanente de Deus, sua contraparte é Shiva, o aspecto masculino, transcendente. A separação dos dois seria a causa do obscurecimento da consciência. Quando as duas partes são ligadas ocorre uma ascensão que culmina com a compreensão da realidade absoluta.
Acompanhem esse fragmento:
"A cada Deus dou Deusa do panteão chivaísta correspnde um Yatra ou diagrama místico. Para o schivaísmo, o Tantra não é um símbolo da Divindade, mas a própria Divindade, manifestando-se em forma diagramática [...] Shiva, o Princípio Masculino ou Transcendente, é o triângulo que aponta para cima, evocando o Lingam (Pênis) e o Céu. Shakti, o Princípio Feminino ou Imanente, é o triângulo que aponta pra baixo, evocando o Yoni (Vagina) e a Terra." [2].
Referência:
[1] D'ALVIELLA, Conde Goblet [trad. Hebe Way Ramos; Newton Roberval Eichenberg] A migração dos símbolos. São Paulo: Pensamento, (?).p. 21.
ARANTES. José Tadeu. Do Xamã ao Prêmio Nobel: são todos filhos de Deus.São Paulo: Terceiro Nome, 2005. pp.29-45.
[2] ARANTES. José Tadeu, 2005. p.40-41. (inclusive imagens).
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